
Podem considerar-se bafejados pela sorte, ou não, mas hoje estava indeciso entre ver um episodio de Prision Break ou escrever qualquer coisa para o meu blog e como podem constatar pelas linhas que lêem, optei pela segunda. Devo dizer que esta decisão não se prende com o meu apreço pelas vossas pessoas mas porque está a chover. Para os que não me conhecem - sim, malta brasileira, povo irmão que cai neste blog de modo inopinado na busca de informação sobre pitangas, é a vocês que me dirijo – eu trabalho nas obras. E hoje acontece que estou no contentor da minha obra desterrado algures no Algarve, numa terra só acessível após muito kilometro na Nacional. Saindo daqui não tenho grande coisa p’ra fazer, portanto cá me vou deixando entorpecer no contentor para evitar umas pingas no cabelo. Já não basta este estar lambido pelo uso obrigatório do capacete, o qual não vejo grande utilidade na obra em questão a não ser estar salvaguardado de uma cagadela por parte de uma gaivota…
Bem sei que não podem dar por isso, mas do último paragrafo às presentes palavras vai aí uma meia dúzia de horas. Assim que avistei uma aberta, aproveitei para zarpar do estaleiro e agora já me encontro comodamente no hotel, com o jantar no bucho e pronto a continuar este texto. Mas não é que entretanto com tanta coisa pelo meio, já não me recordo do tema que pretendia abordar. Bem ou termino aqui ou falo do novo código penal. Disseram-me que o novo código obsta a utilização indevida de piropos. Claro que, como pessoa que integra o sector da construção, fico preocupado. A minha inquietação, todavia, não se prende, com a produtividade ou motivação dos serventes mas sobretudo com as coimas que podem vir a ser aplicadas. O mercado está em crise e este tipo de iniciativas só fomentam a emigração. A malta assim vai é para o estrangeiro mandar as suas bocas à vontade. Isto assim não pode ser, a culpa é do sistema.