segunda-feira, 30 de abril de 2007

Língua afiada


Não serve o presente título para descrever a geometria da minha língua, até porque não me atreveria a escrever umas linhas sobre um apêndice do meu corpo que até tem umas dimensões reduzidas – não fantasiem sobre o resto porque uma coisa não tem nada a ver com outra mas o que é verdade é que não fui dotado de um grande presunto! Não tendo uma grande língua e consequentemente não tendo uma grande lábia, nem mesmo grandes qualidades literárias, o que tenho mesmo é uma porrada de tempo livre e daí ter-me decidido a aventurar escrever um blog.

Pelo enumerado, a escolha do conteúdo do primeiro post assumiu-se como uma tarefa hercúlea e portanto só passado uns minutos e tal, mais ou menos; é que me decidi por escrever aquilo onde somos melhores, ou seja, a escrever mal...dos outros!

Também aqui tive dificuldades. Sobretudo – e o que eu gosto desta palavra, talvez por ser muito utilizada pelo meu avô quando queria que me agasalhasse para lhe fazer companhia a entregar o totoloto; também gosto muito da palavra “bidé” mas não saberia como a inserir neste texto – a nível de escolhas sobre quem dizer mal, pois sendo eu mestre no oficio do “mal dizer”, logo surgiu um turbilhão de nomes na minha cabeça. Lembrei-me do cão de um amigo meu que me mordeu e do Cláudio Ramos mas como tinha escrito “quem dizer mal” em detrimento do “que dizer mal” tive que pensar noutra coisa, portanto em pessoas. O Alberto João até anda na ordem do dia mas o tipo até exerce um certo fascínio na minha pessoa (e não falo a nível físico porque sou tipo de gostar de miúdas e com menos chicha).

Olha, para simplificar a tarefa decidi generalizar e falar mal de estereótipos. Abstractificar a coisa até dá ares de intelectual dos blogues!

Portanto e porque já não me aguento mais, aqui vai:

Não gosto de pessoas que depois de uma manobra perigosa e da consequente buzinadela ainda gesticulam um adeus ou um “maguito”! Deixa-me a modos que irritado e apetece-me persegui-las e mandar um encostãozinho para a berma como nas boas películas de Hollywood! Só não o faço porque esses gajos conduzem rápido e a gasolina está cara para quem tem de atravessar a cidade para ir para o emprego!
Não gosto dos meus vizinhos que não me dão os bons dias, fico sempre uma viagem de elevador; às vezes até mais especialmente se for o ex-tropa do quarto andar, a imaginar acidentes que lhes podiam acontecer. Nada de muito grave que eu nem sou má pessoa; um dedo entalado na porta da rua talvez. Que isso é coisa para doer e aconteceu-me quando tinha dois anos. Dizem os meus pais que berrei para caraças e não sou tipo fiteiro, sou tipo um Tuck, esse grande trinco de outrora que só gemia no relvado quando tinha levado sarrafada da dura!
Não gosto de pessoas que insistem em dizer e passo a citar: “cómigo”; “sófá” e “tódo mundo”.
Não gosto de pessoas que me entopem a caixa de correio electrónico com cadeias de mails do tipo “Quando fores a festões, o que não deves, não cruzes o olhar nunca com uma gaja boa, pois o mais natural é ela drogar-te com uma bebida e levar-te para o Íbis em Oeiras onde com a tampa de uma lata de atum Ramirez te corte para levar um sortido de órgãos num saco plástico daqueles pretos do lixo para depois vender numa feira do género lá para os lados da Ásia Menor e depois vender isso a setenta e tal cêntimos (sem IVA, sem factura e garantia) o kilo. Isto aconteceu ao Brian (19) em Dakota do Sul há dois anos e uns trocos e diz que ele nunca foi mesmo! Senão mandares este mail a pelo menos 134 pessoas pode ser que te aconteça o mesmo pela hora de jantar menos um quarto”!

Bem vou terminar isto porque chegou a hora de almoço e tenho de dar outro uso à minha língua. Até lopes!

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