quarta-feira, 9 de maio de 2007

Empreendedorismo


Era uma vez, há muitos, muitos anos atrás, quando andava na primária (sim que eu sou um rapaz com instrução apesar dos erros que possa dar nos meus textos). Depois de começar com um “Era uma vez...” não há volta a dar, nunca sei como terminar uma frase, porra! Adiante, lá para 87/88, o João Pedro, tipo gorduchinho – sim, não vou dizer “para o forte” - que frequentou as mesmas salas de aulas que eu na primária teve uma atitude que marcou a minha infância para todo o sempre e ainda hoje tem repercussões na maneira de ser da minha pessoa.

Para que compreendam melhor o episódio que vou descrever vou tentar caracterizar as personagens envolventes tentando conferir-lhes uma certa dimensão humana e uma carga emotiva.

O João Pedro era um moço meio “banana”, simpático, divertido mas por vezes um pouco irritante. Para terem ideia, eu sou um tipo muito pacato, e a única vez que andei à bulha foi com o João, no recreio ao pé do escorrega. Era Carnaval e eu estava mascarado de Zorro ou Punk (acho que durante a minha infância apenas alternei entres estes dois sujeitos, na pré-primária ainda fui o Donald mas chorei porque achava que era à menina) e ele de Cowboy. Levou uma biqueirada no cu, que é mesmo assim! Para não se armar em Chico-esperto! Sendo meio gordito e tendo óculos meio fundo de garrafa, já para a altura, era o típico miúdo de que as miúdas não queriam saber. Para os que me conhecem a descrição até pode corresponder à minha pessoa mas o João Pedro exagerava nestes atributos, caramba.

Depois havia a Catarina, loira, olhos verdes ou azuis. Bem, não eram castanhos! Boa figura. Nos quatro anos de primária acho que foi a única menina que convidei para os meus aniversários. Ele lá ia, brincar aos Lego’s com os rapazes. Na altura acho que os pais obrigavam os putos a ir às festas e pôr camisa. Hoje em dia ela ou não ia ou era uma porca! Os gajos são lixados!
(Nota – nos dias que correm já não convidava só uma miúda, é uma estratégia muito má. Ataco em várias frentes e deixa-me mais hipóteses em aberto)

E no dia 14 de Fevereiro de um ano na década de 80 ( a das permanentes e dos enchumaços) o JP decide dar um presente do dia dos namorados à Catarina. Que romântico, um saco plástico a transbordar de Tou’s! Eu ri-me. “Ganda totó” pensei.

Pois é, a Catarina quando foi presenteada corou e o resto da turma sorriu! Mas no dia seguinte ela retribuiu o acto também com presente e eu roí-me de inveja!
Essa data mudou-me para sempre. O mundo não era dos bonitos mas dos com atitude! Tentei ter mais iniciativa e tornei-me mais independente. Aprendi a piscar o olho; comecei a cortar as unhas dos pés e a tirar as espinhas do peixe em vez de pedir à minha mão para o fazer. Foi uma lição de vida! Ainda hoje recordo esse momento antes de beber um trago valente de vodka redbull para ir falar com as miúdas na pista de dança.

Nota do redactor: “Tou” era o cromo dos Bollycao’s; eu tinha aos milhares dado a minha dieta ser rica neste alimento, mas nunca dei um Tou a ninguém porque eu era um Tou egoísta. Para esclarecer os mais novos, o cromo em questão era uma espécie de Tazo que depois saíram nas batatas fritas (empresários das batatas, saibam que os meus preferidos sempre foram os pega-monstros). Para a minha geração, nesse período temporal, a roda dos alimentos só tinha dois queijinhos, o dos Bollycao’s e o dos bolos Panrico’s com cobertura de chocolate – esses tinham um boneco de plástico do He-Man enfiado lá para o meio.

Sem comentários: