
Confesso que sou um frequentador assíduo de espectáculos musicais de grandes proporções e neste tipo de ocorrências costumo conviver com uma massa de pessoas mais juvenil, também mais afecta a estas festividades. Assim, cedo estranhei expressões como “Estou feito com estes gajos!” aquando de uma tentativa, não gorada, de incursão a zonas mais próximas do estrado. Devo dizer que registei a afluência de pessoas pertencentes a uma faixa etária mais avançada que a minha, com especial agrado. Muitas são as carcaças que afirmaram a vontade de ir mas nada fizeram para contrariar a inércia de ficar pregados ao sofá a ver novela portuguesa que nem ata nem desata. Dá gosto ver a plateia dos “...enta” aos pulos – vá, a bater o pé – ao som de uns ainda mais velhinhos músicos de qualidade. E é um facto que eles estão em forma. Não deve ter havido centímetro quadrado de extenso palco que não tenha sido pisado pelo Mick Jagger e não é o aparato cénico que nos faz ficar absorvidos pelo espectáculo.
Por tudo isto, apelo e sugiro, a todos, dos oito aos oitenta, que vão a este género de acontecimentos. Os mais velhos não se vão arrepender. Vão sentir o sangue a fervilhar-lhes nas veias e reviver os tempos áureos da juventude que já lá vai, quando saírem das instalações tortos da cerveja que ingeriram. Os mais novos vão viver uma experiência transcendente sem comparação. Que o diga a Amélia que me acompanhou a ver The Who (a nossa idade somada não chegava a do próximo espectador mais novo) mas ficou mais fascinada com a dança de um personagem isolado no topo da bancada.
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