terça-feira, 31 de julho de 2007

Sabidões

A propósito de Joe Berardo ter dito aqui há uns tempos que o Rui Costa estava velho para jogar lá no lampionário queria aqui asseverar que uma vez um daqueles velhotes chineses - para aí com um século de vida, ou menos, ou até mesmo isso, daqueles que mesmo com essa idade ou até mais ainda pratica o karaté e imprime uns valentes golpes nas fuças dos mauzões que se vão metendo com ele, assim tipo aqueles caubóis que aviam uma trupe de quatro ou vinte gajos, com um taco lá do saloon só porque um deles olhou de relance para o decote generoso da moça que o acompanhou só para beber uma água com gás, ou lá aquilo que elas bebem lá para o faroeste, porque os caubóis de barba rija, esses bebem whiskey – disse: 老骥伏枥,志在千里!
Para quem não se entende com o Mandarim, isto significa “O cavalo velho no estábulo ainda deseja correr 1000 Li”. Para quem não se entende com provérbios chineses, isto é mais ou menos um “Nunca subestimes a experiência das pessoas porque vai-se a ver e as pessoas velhas podem ainda ter grande ambição e potencial”. E não é que 'estábulo' e 'li’ rimam mesmo no Mandarin.

Nota: Li é uma unidade de medida linear do Chinês que correspondente a, para simplificar a coisa, a qualquer coisa como, mais coisa menos coisa, a meio km, pelo que 1000 Li são, bem, é só fazer as contas.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Dava-te uma trinca


Antes de começar a desenvolver este texto quero deixar bem claro que o título que lhe dá nome nada tem a ver com a pessoa que vou referenciar. Estou ciente de que chegariam a esta conclusão pelas vossas próprias faculdades de percepção, com o decorrer da leitura e sem a chamada de atenção inicial, contudo quero evitar quaisquer dúvidas, por mais momentâneas que possam sequer ser.

Esclarecido este facto, vamos lá então. Um dos meus leitores assíduos (e peço que não o julguem por ter conseguido ler a totalidade deste blog, ele não é parvo ou masoquista, mas sim meu amigo) reclamou a referência à sua pessoa. Fê-lo por alturas da sua formatura e quando me acompanhou ao concerto dos Stones. Pois eu escrevi sobre o dito concerto, não invoquei o seu nome e, imagine-se o drama, falei de uma amiga minha no mesmo post! Censurem-me por não ter o hábito de identificar pessoas no meu blog e nas raras ocasiões em que o faço, preferir falar de miúdas. Eu acho que o Miguel Soeiro ficou com ciúmes e por isso eu hoje deixo aqui a minha pequena homenagem a tão ilustre figura.
Vou falar dele, não porque me pediu – isto, apesar da entrega ao domicílio, não é um blog tipo Pizza Hut que é só pedirem os ingredientes e escolherem entre massa fofa ou fina – mas porque possuímos algo em comum. Ontem, chegámos à conclusão de que não conseguimos comer (e eu, ao contrário do Miguel, prefiro este verbo ao mais definidor mas, também mais larilas “chupar”) um rebuçado sem o trincar. Eu tinha-me apercebido disso com os Werther’s Original mas estou em crer que tal fenómeno acontece com qualquer produto semelhante. Esta particular ocorrência, desencadeou de imediato interrogações sobre os escrúpulos da personalidade dos indivíduos que, como eu e o Miguel, partilham desta distinção. Será que pessoas como nós, não conseguem procrastinar o prazer? Será que isto é, de alguma forma, pecaminoso? Ou será que isto é apenas indicador de uma escassez de força de vontade? São questões contingentes para as quais não tenho resposta mas o meu tributo àquele caramelo está feito!

terça-feira, 24 de julho de 2007

Promessas


Meus amigos, já uma vez aqui falei na crescente ausência de valores da sociedade moderna. Eu procuro ser fiel aos meus valores e como tal tento sempre cumprir com as minhas promessas. Talvez seja uma virtude, apesar de François La Rochefocauld dizer que “as nossas virtudes, a maior parte das vezes, não passam de vícios disfarçados”. Adiante, as minhas pretensões de um blog ecléctico não vão ser goradas e partilho convosco a receita do Bolo Alasca Florido.

Escolhi esta receita porque não se limita a listar umas quantidades aleatórias de produtos, que após serem adquiridos, não sabemos dar vazão. Não que eu recuse toda a criatividade associada à arte do cozinhar mas creio que o q.b. em detrimento de colheres de sopa ou mãos-cheias já dê suficiente margem de manobra. De facto todo o detalhe descrito no modo de preparação confere todo um ensejo para que o produto final seja o aspirado. Atentem aos timings precisos, à exactidão da actividade evolutiva do procedimento na confecção e a toda a harmonia das dimensões e forma proposta para o bolo. Genial!


Ingredientes
4 ovos
175 g de açúcar
150 g de farinha de trigo
1 colher (chá) mal cheia de fermento em pó
300 g de chantilly
morangos ou uvas moscatel q.b.



Preparação
Unte com manteiga uma forma lisa com cerca de 24 cm de diâmetro sem buraco e forre-a com papel.
Peneire a farinha em conjunto com o fermento. Bata as gemas com o açúcar até obter gemada forte. Bata as claras em castelo bem firme e junte-as aos poucos na gemada, intercaladamente com a farinha e mexendo apenas de baixo para cima, sem bater. Depois de bem ligado, deite o preparado na forma, alise e leve a cozer em forno médio cerca de 45 minutos. Verifique se está bem cozido, tire e deixe arrefecer. Depois de frio, desenforme e tire-lhe o papel.
Dê-lhe um golpe transversal a meio sem o cortar completamente. Com um prato a servir de molde, recorte uma rodela até ao golpe transversal. A rodela sai com facilidade, deixando uma cavidade que enche de gelado. Depois cubra com a tampa e aconchegue. Coloque o bolo na bandeja ou prato de serviço; cubra-o com chantilly, com o maior gosto e jeito, utilizando a espátula ou saco e boquilha. Decore com morangos ou bagos de uvas moscatel ou outras frutas. Guarde no frigorífico até ao momento de servir mas não espere mais de 1 hora
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segunda-feira, 23 de julho de 2007

Limitações

Ontem ou um dia destes, a meio de um desses cafés que as pessoas têm por hábito tomar, fui acusado de recorrer sempre aos mesmos temas de conversa. Estava a falar de cocó. Eu próprio já tinha chegado a essa conclusão e tornado público, neste blog, facto tão evidente. Mas esta queixa deixou-me um problema entre mãos. Hoje, nesta era em que o presente blog – no qual estão a pôr os olhos – tem andado mais parado, decidi recomeçar a actividade bloguística falando da bola. Pretendia falar-vos desse embate de gigantes que é o Belenenses vs. Real Madrid, a acontecer no inicio do próximo mês. No entanto, sei que ao explanar este tema a comunidade feminina revoltar-se-ia e a catalogação deste blog como sexista seria inevitável. E caros leitores, vocês sabem que estão perante um blog pretensioso que tem intenções de agradar a gregos e troianos. Estou inclusive a pensar internacionalizá-lo com posts nas mais diversas línguas, incluindo Braille e Açoriano, e escrever sobre temas tão diversos como bricolage, helicicultura, aeromodelismo e tarôt!

Agora, e antes de terminar este post –com a promessa de que os vindouros obedecerão a uma criteriosa selecção de assunto, na perspectiva de tornar este blog versátil (como o jovem internacional sub-20 Mano) – gostaria de deixar um conselho. Este conselho é para todos aqueles que não se interessam minimamente por futebol e nem sequer sabem dizer o 11 base nacional. Antes de começarem a espingardar aqui com o rapaz que insiste em escrever sempre sobre o mesmo, procurem cultivar-se sobre o desporto-rei no nosso país. Não digo isto para salientar o facto de que há uma matéria que não dominem. Até é modos que intelectual demonstrar pouco interesse nos “rapazes que correm atrás de uma bola”, mas pensem lá bem quantas (e quantas) vezes é que não ficaram fora de uma conversa com medo de mandar uma qualquer posta de pescada e serem olhados de esguelha com um ar trocista?

Curiosidade: este post repete a palavra blog 5 vezes e as palvras cocó e bricolage apenas uma.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Notícias do meu clube congénere em terras africanas


Em época de defeso, os diários desportivos continuam a tirar bem e o povo começa a ficar impaciente pelo começar do rolar do esférico. Discute-se a qualidade, ou não, dos reforços; a cor dos novos equipamentos e fazem-se graçolas com os nomes dos futuros craques. Desde já o meu agradecimento à nação benfiquista pelos trajes cor-de-rosa e pelo Bergessio. Com vocês a inserção num novo local de trabalho fica desde logo facilitada e a conversa de café idem.

Mas o que me coloca um sorriso indisfarçável no rosto são as notícias do meu clube, “Os Belenenses”, ou, vá, as notícias do seu irmão gémeo, “Os Belenenses de Angola”. E por isso, decidi citar o Angola Press com intuito de vos actualizar com o que por lá se passa.

“O Belenenses FC de Angola aproximou-se ao Kabuscorp do Palanca e Progresso do Sambizanga, após vencer hoje, no Campo Joaquim Dinis, em Luanda, o Sporting de Cabinda, por 2-0, em jogo da segunda ronda da série "A" do torneio de apuramento ao Girabola de 2008.
Na tabela geral, Sporting de Cabinda, Esperanças do Congo, FC Cabinda e Dom Afonso Nteka ainda não pontuaram nesta série, ao passo que no grupo "B" estão reservados os jogos Académica do Lobito-Benfica do Huambo, Recreativo da Caála-FC Bravos do Maquis e Leões do Tchifutchi do Moxico-Recreativo do Libolo.”

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Regime


Em todos os blogues, algures na sua vida, independentemente da sua qualidade, surge uma época de escassez. E esta míngua não tem que estar associada a uma súbita falta de empenho ou ânimo. No presente caso deve-se a falta de tempo, o que bem vistas as coisas até é qualquer coisa de bom, mais ou menos. Ultimamente têm-me caído trabalho no colo e logo quando eu não me importava de uma semana descansada. Mas Murphy – única entidade sobrenatural na qual acredito com uma convicção abaladora – é pródigo nestas coisas e intensificou-me a labuta em simultâneo com um festival de verão que calha a meio da semana e no qual fiz questão de marcar presença. Daí se justifica a dieta do meu blog e a minha dieta festivaleira (à base de cerveja, bananas e líquidos demasiado férteis em cafeína) que já me valeu umas épicas ida à casa de banho, ainda não são 11 da manhã!

Depois desta abstenção, gostaria de escrever um pouco, mais mas torna-se demasiado complicado quando as substâncias estimulantes, como a taurina nos dão para trocar as teclas com toda esta tremideira das mãos.

Um abraço muito especial a todos os imigrantes que têm o privilégio de viver em Montreal, junto aos demasiado geniais Arcade Fire (concerto de uma vida) e aos fãs de José Cid na Baixa da Banheira.