segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Ambições divinas


Todos nós, mais ou menos, ou quase todos, pelos menos uma boa parte de nós, gostaríamos de deixar uma marca neste mundo e ser alguém com valor que possa ser relembrado para a posterioridade. Eu não sou excepção. Houve uma altura da minha vida que pensei que o melhor mesmo era mamar uns copos e comer umas gajas. Mas, depressa percebi que só era bom na parte do mamar copos e isso às vezes dá umas valentes dores de mona no dia seguinte, pelo que voltei à minha ambição de querer ser grande! Podia ter sido um Maradona mas nasci destro e na primária puseram-me num colégio sem campo da bola onde era proibido jogar no recreio. Uma merda! Desde tenra idade que se viram goradas as minhas hipóteses de singrar no mundo do futebol. Portanto, assim de repente a outra forma que vejo de saltar para o estrelato e ter posters centrais nas revistas de teenagers é ser uma estrela rock e eu não fui abençoado com dotes musicais.
E, assim, cá fui eu, rastejando nesta minha vida talhada para a mediocridade deixando-me levar pelo destino. “Dedica-se a esperar o futuro apenas quem não sabe viver o presente”, disse Séneca um dia. Acho que foi há muito tempo! Mas desde antes de anteontem para cá que percebi que tinha perfil para ser um Gajo importante. Eu podia ser Deus!
E o que despertou em Mim esta vontade de ser Ele? Duas coisas. Um telefonema e a entrevista recente do Jorge Jesus na qual afirma, mesmo que em tom irónico, se calhar até em jeito de pergunta “Os outros clubes dão aos milhões por avançados, e eu, porque sou Jesus, Pai do Céu, consigo jogadores a 50 mil euros e fazê-los grandes.” Fiquei impressionado pois segundo ele (o Jesus, o de Belém, do Restelo) foi Deus que lhe deu a capacidade de ler o jogo. Acho que não falava do jornal desportivo! É um facto que ele tem capacidades e Eu terei as minhas. Apercebi-me disso quando me foi enviado o sinal na passada sexta-feira.
Passo a explicar tudo. Eu tenho dois telefones portáteis em casa. Ora acontece que o que se ouve mal está no meu quarto e eu sou preguiçoso. O resultado é que atendo nesse, por estar ali à mão e depois, se é para mim, lá vou eu trocar de aparelho. Da última vez resolvi falar com os dois ao mesmo tempo, à galifão! E falei com eco! E quem fala com eco? Lá está, Deus, o próprio. Deixei-me ficar naquilo uns tempos enquanto que na Sic Radical a Sónia Tavares, vocalista dos The Gift, em concerto com transmissão em directo tocou uma música inteira de braços bem abertos. Coincidência? Não me parece. Como respondeu o treinador do Belenenses quando lhe perguntaram se sentia que, quando está a olhar para a equipa, só o Jesus a está a compreender – “Disso não tenho dúvidas nenhumas. Eu é que sou o pensador.”

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