quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Dois e mil e sete


Depois de muito reflectir já estou em condições de relatar o pior momento, vivido na primeira pessoa, do ano transacto. Desenganem-se aqueles que pensam que foi o meu primeiro dia de trabalho, porque esse de trabalho teve muito pouco. Fez-me acordar a horas, algo a que o meu organismo não estava acostumado e evidentemente se ressentiu. Na verdade, recordo esse fatídico momento surgido ao segundo dia do ano pretérito, pela sucessão, fenecida nesse mesmo instante, de dias em que não me erguia ao som de um repetitivo e ensurdecedor trim, quando no lado esquerdo do visor do despertador ainda só era visível um dígito - para os menos habituados a este tipo de literatura arrebatadora, com recurso a figuras de estilo que procuram confundir nas ideias, os menos dotados da inteligência para-frásica, quer isto dizer que há uma batelada de dias que não acordava antes das 10 da manhã!. O facto de ter acordado cedo nesse dia é tanto mais gravoso pelas horas de sono subtraídas pela vontade de impressionar no primeiro dia de emprego e pelos relatos alarmistas e exagerados do trânsito na segunda circular. Enfim, minutos depois de ter entrado no local de emprego fui recambiado para casa, pois a minha entrada em cena não tinha sido planeada. Agradeço muito aos chefes que permitiram mais um dia de férias e o visionamento de uma película que me havia sido oferecida no Natal, em detrimento de ter de ler manuais maçudos de procedimentos. Adiante, se já vos disse que esta situação não se assume como a pior de 2007, o porquê de eu a relatar com exaustão? Para este texto ganhar algum corpo - dirão os mais perspicazes! Na verdade não. Não faço a mais pequena ideia.

Para espanto geral, o pior momento de 2007 ocorreu durante o período de férias. Mais uma vez fui em viagem e mais uma vez me esqueci de um acessório útil. Já é um clássico. Ele já foi carregador de telemóvel, ele já foi toalha de banho, ele já foi chinelos, ele já foi [digam qualquer coisa que achem imprescindível em viagem, insiram nestes parêntesis rectos, e ele provavelmente já foi isso]! Mas uma situação que costuma ser comum a todas as minhas viagens é precisamente a ausência de um corta-unhas na minha mala. A minha última jornada não foi excepção. Estranhei, no entanto, o facto de numa viagem organizada, nenhuma das pessoas mais próximas de mim (falo de umas 7 ou 30, não me recordo) ter a porcaria de um corta-unhas! Quero acreditar que esses indivíduos com quem me dou cortem as unhas dos pés e, especialmente, que o façam nos dias que antecedem imediatamente ao separação das suas residências onde estarão, porventura, instaladas as instalações sanitárias munidas de todos esses artigos. E lá estava eu, a passar férias na neve, longe da minha residência, sem o desejado item e tendo de calçar as botas para a prática desportiva de inverno, sendo que qualquer milímetro é importante nesse capítulo. Eu que parecia uma águia, tal eram as garras afiadas que possuía. Se houvesse embrulhada na neve e acabasse tudo à porrada eu só tinha que começar com rotativos à Chuck Norris e ainda degolava algum marreta com piores intenções. Finalmente lá consegui cortar as unhas com uma tesoura de centímetro que descobri no meu canivete. Saibam, contudo, que a referida tesoura cortava as unhas pior que as minhas próprias unhas e foram precisas horas para tal procedimento. Um filme, o pior do ano passado!

Sem comentários: