segunda-feira, 28 de maio de 2007

Reinação


Gosto de pensar que sou um tipo moderno. Não porque seja um produto desta sociedade que muitos caracterizam como ausente de valores, não! Eu até me identifico com o sexo sem compromisso e com a compra on-line de produtos horto-agrícolas mas não sou dominado pelos ímpetos do consumo irreflectido e desenfreado! O que me faz crer na minha hodiernidade é o facto de não me rever nos princípios monárquicos. Devem pensar que ando demasiado desactualizado pois a proclamação da república está quase a fazer 100 aninhos e já nem é do tempo da minha avó mas estão equivocados. E, por isso, convido-vos a embarcarem comigo nas próximas linhas.



A monarquia está na moda! Isto não é uma frase-choque nem se fundamenta nos autocolantes da bandeira azul e branca colados no porta-bagagens dos carros (geralmente carrinhas Volvo ou carros antigos, para aí do tempo dos próprios reis, brancos, tipo electrodoméstico) nem nas audiências do casamento da Letícia com o outro tipo espanhol. Não falo também das primeiras páginas dos tablóides britânicos que falam do maço de cigarros que o Harry bafou naquela noite em que foi sair à noite com aquela gaja ordinária da mini-saia rosa-choc que fez um manguito a um fotografo furtivo. A monarquia está na moda pela quantidade de reis, nacionais e além-fronteiras, que por ai andam, senão vejamos:





  • Rei Leão – dos reis mais conhecidos, taco a taco com o Rei Artur, vendeu uma data de ingressos para o cinema a uma data de criançada.


  • Rei dos Frangos – titulo reclamado por uma churrasqueira take away que nasceu em Leiria e já se expandiu por esse Portugal fora mas normalmente atribuído a Costinha, agora a militar no plantel Belenense.


  • Rei das Chaves – Zé Manel que tem uma arrecadaçãozinha no centro comercial aqui da zona e que se acha capaz de competir com as míticas Chaves do Areeiro. Aqui há um par de anos cobrou-me imenso por uma chave rasca para o carro que eu tinha conseguido partir na fechadura. E ainda dizem que não há gajos brutos como dantes!


  • Martin Luther King – assinou um dos mais emblemáticos discursos de sempre. Eu tento apenas postar um texto com algum nível.


  • King Kong – o mais mediático gorila, com agilidade suficiente para trepar o Empire State Building. Tinha mais energia que o macaco Adriano.


  • Burger King – fornece o menu mai’barato com a maior quantidade de calorias.



  • Nat King Cole – um tipo da música, se bem que o Rei acho que era o Elvis.


  • Preservativos King Size – os que me ficam melhor!


  • Reinaldo – o bate-chapas da minha ex-oficina. Não o conheci muito bem porque sou um exímio condutor.


  • Bolo Rei – não percebo porque este bolo é rei quando há bué putos que não gostam de frutas cristalizadas.


  • Cristo Rei – o tipo não se mexe mas é o maior da margem sul.


  • Rei do Carnaval de Loulé – todos os anos é coroado um novo mas o povo, sábio, diz que mais vale Rei por um dia do que Conde uma vida!

2 comentários:

R., R., Rosa disse...

Ainda não havia parado pra pensar nessa moderna monarquia. Já refleti sobre os impérios, sobre o consumismo.
Mas nunca sobre um regime monárquico instaurado(?), talvez porque a palavra rei transmite grandeza e por isso querem ser reis.. pra serem grandes.

Achei engraçado este post, porém ele é verdadeiro...

Desculpe a intromissão.
Até mais.

João disse...

Caro ruan, obrigado pelo comentário. São sempre aceites intromissões, aqui no meu blog sou rei mas não há censura ou ditadura.