Penso ser bom moço e julgo ser fácil, de má índole e prática corrente dizer mal dos outros com o único desígnio de nos valorizarmos comparativamente no que diz respeito a características menos positivas que outrem possa ter mais vincada. É por estas e por outras e com intuito de me demarcar dos demais, que contrastando com o meu primeiro post me proponho a enveredar num lhano exercício de prospecção interior e reconhecer defeitos inerentes à minha pessoa.Deste modo, começo por confessar em exclusivo que sou incapaz de assobiar alto. Já tentei inúmeras vezes das mais variadas maneiras e feitios! Não dá! Com os mindinhos na boca, com os conjuntos em simultâneo de indicador e dedo médio em paralelo ou até com o par polegar e indicador em forma de “nhecus” e exercitando os músculos flexores e rotadores... mas simplesmente não dá! Já usei toda a combinação possível de extremidades dos meus membros superiores e não dá! Às vezes, a ciência está mesmo na simplicidade e outrora cheguei a tentar este sinal sonoro sem dedos, mordendo ligeiramente o lábio inferior, assim como fazem os mitras para chamar atenção de uma dama ou do Flávio que vai distraído do outro lado da rua! O resultado é invariavelmente o mesmo e acabo a cuspir-me todo feito anormal. A cuspir, por sua vez, já não sou mau e uma vez fiquei em segundo numa competição para ver quem atira a pastilha mais longe quando o Gonçalo decidiu comprar lá nas tasquinhas de Rio Maior, após a terceira caipirinha, umas pastilhas-bola-gigante caras com’o caraças e que mal cabiam na boca e faziam doer os molares de sobremaneira.
Outro defeito que possuo é a inelasticidade de movimentos, e aproveitando estarmos a falar de dedos, não consigo chegar com estes das mãos, aqueles, ali ao longe, dos pés, isto sem dobrar as pernas claro está. Por acaso sempre que falo em defeitos lembro-me de uma qualidade e há uma particularidade do meu corpo humano que tenho especial orgulho, que é o de não possuir um segundo pododactilo (dedo do pé) maior que o primeiro porque bem vistas as coisas deve haver uma certa harmonia e agrada-me que as dimensões destes sigam os números que os denominam.
Para finalizar esta auto-mutilação verbal com que me presenteio guardo para o fim a minha maior falha, a capacidade de fazer balões com pastilhas elásticas! Sim, ando a tentar este número desde pequenino e sempre sem registo de um único caso de sucesso! Já muita gente partilhou comigo as suas técnicas e já comi muita pastilha de muita espécie; elas foram bubalicious, foram super-gorila, chicletes, sem açúcar mas tiveram sempre o mesmo destino – o caixote do lixo, sem nunca terem atravessado aquele momento de glória para que foram concebidas, o balão! Tentei tudo! E tudo implica o achatamento da pastilha antes da moldagem e colocação nos dentes para posterior assopramento enquanto se segura com os dedos todos enfiados na cavidade bucal. O que numa comparação feliz é como andar de bicicleta com rodinhas, só um totó é que não consegue!
Por agora me despeço com um conselho milenar – Não aceitem pastilhas elásticas ou qualquer outra doçaria, quando vindas de um estranho.
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