terça-feira, 26 de junho de 2007

Keep on rollin’


Ontem tive a oportunidade de ver a última(!?) apresentação da maior banda do mundo, ao vivo em Lisboa. Estou a falar dos Rolling Stones. E, a avaliar por toda a dimensão do evento (estrutura do palco, audiência, músicos em cena e, consequentemente, preço dos ingressos) o adjectivo comparativo de superioridade de grande não pode estar muito mal empregue. Por tudo isto, tal experiência merece algumas considerações.
Confesso que sou um frequentador assíduo de espectáculos musicais de grandes proporções e neste tipo de ocorrências costumo conviver com uma massa de pessoas mais juvenil, também mais afecta a estas festividades. Assim, cedo estranhei expressões como “Estou feito com estes gajos!” aquando de uma tentativa, não gorada, de incursão a zonas mais próximas do estrado. Devo dizer que registei a afluência de pessoas pertencentes a uma faixa etária mais avançada que a minha, com especial agrado. Muitas são as carcaças que afirmaram a vontade de ir mas nada fizeram para contrariar a inércia de ficar pregados ao sofá a ver novela portuguesa que nem ata nem desata. Dá gosto ver a plateia dos “...enta” aos pulos – vá, a bater o pé – ao som de uns ainda mais velhinhos músicos de qualidade. E é um facto que eles estão em forma. Não deve ter havido centímetro quadrado de extenso palco que não tenha sido pisado pelo Mick Jagger e não é o aparato cénico que nos faz ficar absorvidos pelo espectáculo.
Por tudo isto, apelo e sugiro, a todos, dos oito aos oitenta, que vão a este género de acontecimentos. Os mais velhos não se vão arrepender. Vão sentir o sangue a fervilhar-lhes nas veias e reviver os tempos áureos da juventude que já lá vai, quando saírem das instalações tortos da cerveja que ingeriram. Os mais novos vão viver uma experiência transcendente sem comparação. Que o diga a Amélia que me acompanhou a ver The Who (a nossa idade somada não chegava a do próximo espectador mais novo) mas ficou mais fascinada com a dança de um personagem isolado no topo da bancada.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Dotes culinários


Engane-se aquele que julgava só me ver a escrever duas linhas sobre o tópico. Uma já cá vai! Todos me atiram à cara que não sei cozinhar, o que bem vistas as coisas até é coisa para ser verdade. Mas também não é preciso estarem-no sempre a apontá-lo, caramba! Eu até assumo, e dizem que isso é o primeiro passo para cura. O segundo deve ser saber acender o fogão, porque de micro-ondas já sei eu do assunto! Sou exímio a operar com o instrumento! E nunca li o manual. Aliás acho que ler livros de instruções só uma ínfima parte da população o faz, a par aí de fazer um castelo de cartas com 4 ou 7 andares de altura! As mulheres são incapazes de o fazer, não sei por preguiça, isto ou aquilo, o que é certo é preferem ver um qualquer aparelho deitar fumo e depois chamar “o homem” da especialidade a lerem qualquer coisa com letras minúsculas que não tenha anúncios de roupa. Os homens sabem sempre tudo ou então “já estava estragado”! Mas verdade seja dita, creio possuir o mais anacrónico mas mais eficaz aparelho emissor de radiações electromagnéticas jamais concebido; uma vez que 1 minuto dá para tudo, desde o descongelar o pão ao aquecer o prato pré-confeccionado.

Eu até vos podia enganar pois tenho 3 fotografias a cozinhar, se bem que duas são a fingir na minha recente incursão à Casa Milà do Antoni Gaudi e não fosse eu estar de phones do guia na cabeça e não haver fumo que ninguém topava a farsa.

A minha mãe é a mais desgostosa pela mina inaptidão para a cuisine. Chegou a investir na minha formação ao comprar-me um livro da especialidade na Feira destes e ao enviar-me, em Erasmus, para longe dela, por período suficiente de tempo. Teve azar, comi sempre refeições preparadas por outrem. Não por ser cromo e ter sacado uma miúda que me confeccionasse pitéus durante toda a minha estadia mas porque o destino não quis que eu e arte de cozinhar juntássemos trapozinhos ao colocar-me numa residência com arrecadações a que chamavam quartos e que não possuam cozinhas. Deste modo, o máximo que fiz nesses meses, foi cortar frutas para uma panela cheia de sangria Don Simon que eu prório comprei a 20 coroas no Carrefour que depois passou a Tiesco. Isto porque já tenho reputação no que diz respeito a cortar limas para fazer caipirinhas!

Assim, e para terminar, as refeições preparadas integralmente por mim podem ser contadas pelos dedos de uma mão, se bem que só me recorde de uma. E podem ser contadas pelos dedos de uma mão porque nunca cozinhei o suficiente para deixar um dedinho na bancada! Agora que falo nisso, a minha glória neste capitulo deve-se mesmo a um dedo cortado. No Sudoeste do ano passado um amigo meu conseguiu cortar o dedo ao tentar abrir uma garrafa de Sagres, facto que teve que omitir quando deu entrada no posto médico pois o festival era patrocinado pelos rivais da Super Bock. Não vos divulgo o nome do meu amigo pois, perante tal situação (falo da incursão na tenda de primeiros socorros por um cortezinho e não pelo corte em si), tomar-lhe-iam equivocamente por rabeta e ele até sacou muita fanfa nesses dias! Mas com o gajo na tenda médica não tive outro remédio senão fazer-me a vida e maquinar um jantar rico em proteína, constituído por arroz, atum e ovo cozido! Feito isso, nos dias que correm, só me sentirei completo e em paz com a minha pessoa quando conseguir juntar harmoniosamente uma mão cheia de alimentos. Este é o meu próximo passo!

Top gatunos


3 - Jesse James – o mítico cowboy do Faroeste assinou o brilhante sequestro ao comboio inter-regional que ligava Jefferson City a Les Moines e enchou os bolsos para o resto da vida!


2 - Dani Ocean – Este ladrão e sua pandilha de larápios confiscam uma incalculável fortuna a um magnata dos casinos!


1 - Olegário Manuel Bártolo Faustino Benquerença – este homem do apito já conseguiu assoprar os roubos de maiores proporções na superliga!

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Boas


Hoje na minha habitual e matinal incursão pela segunda circular rumo ao emprego fui bastante tempo atrás de uma carrinha branca daquelas para levar uma família de ciganos ou outro qualquer tipo de material. E quando digo bastante tempo não estou a exagerar, pois como devem constatar pela informação do trânsito que assola todos os noticiários radiofónicos e televisivos, as Torres de Lisboa ou o Radar andam sempre de mãos dadas com a segunda ponte do Feijó, Pina Manique, Recta dos Comandos ou Alto da Boa Viagem. Eu já nem dou ouvidos a estes noticiários pois são a coisa mais repetitiva do mundo juntamente com os filmes pornográficos e as memórias descritivas que se escrevem no meu local de emprego. A propósito, renovaram-me o meu contrato e não gosto de andar atrás de carrinhas brancas dessas grandes pois tapam-me a visibilidade e vejo-me obrigado a reduzir o tempo de travagem. Mas estas carrinhas têm a vantagem ou de pertencerem a uma família de bimbos e portanto serem um atractivo visual a nível de decoração ou de terem uns anúncios que nos dá para manter entretido uns segundos. A que eu segui hoje era de uma empresa que se chama “Bom dia”. É simpático darem-me os bons dias durante a hora que estou metido num engarrafamento mas é um nome, no mínimo, estúpido para se dar a uma empresa. Imaginem que telefonam para lá e a telefonista até é simpática e tem o bom hábito de cumprimentar após identificar a empresa. No caso de efectuarmos o contacto telefónico no período matinal corremos o risco de ouvir um duplo bom dia ao passo que se telefonarmos após o almoço vamos pensar que esta está um pouco baralhada com o “Bom dia. Boa tarde!”. Se for empresa para trabalhar à noite não há como não pensar que a telefonista anda metida nos copos – “Bom dia. Boa Noite!”.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Imperfeições

Penso ser bom moço e julgo ser fácil, de má índole e prática corrente dizer mal dos outros com o único desígnio de nos valorizarmos comparativamente no que diz respeito a características menos positivas que outrem possa ter mais vincada. É por estas e por outras e com intuito de me demarcar dos demais, que contrastando com o meu primeiro post me proponho a enveredar num lhano exercício de prospecção interior e reconhecer defeitos inerentes à minha pessoa.

Deste modo, começo por confessar em exclusivo que sou incapaz de assobiar alto. Já tentei inúmeras vezes das mais variadas maneiras e feitios! Não dá! Com os mindinhos na boca, com os conjuntos em simultâneo de indicador e dedo médio em paralelo ou até com o par polegar e indicador em forma de “nhecus” e exercitando os músculos flexores e rotadores... mas simplesmente não dá! Já usei toda a combinação possível de extremidades dos meus membros superiores e não dá! Às vezes, a ciência está mesmo na simplicidade e outrora cheguei a tentar este sinal sonoro sem dedos, mordendo ligeiramente o lábio inferior, assim como fazem os mitras para chamar atenção de uma dama ou do Flávio que vai distraído do outro lado da rua! O resultado é invariavelmente o mesmo e acabo a cuspir-me todo feito anormal. A cuspir, por sua vez, já não sou mau e uma vez fiquei em segundo numa competição para ver quem atira a pastilha mais longe quando o Gonçalo decidiu comprar lá nas tasquinhas de Rio Maior, após a terceira caipirinha, umas pastilhas-bola-gigante caras com’o caraças e que mal cabiam na boca e faziam doer os molares de sobremaneira.

Outro defeito que possuo é a inelasticidade de movimentos, e aproveitando estarmos a falar de dedos, não consigo chegar com estes das mãos, aqueles, ali ao longe, dos pés, isto sem dobrar as pernas claro está. Por acaso sempre que falo em defeitos lembro-me de uma qualidade e há uma particularidade do meu corpo humano que tenho especial orgulho, que é o de não possuir um segundo pododactilo (dedo do pé) maior que o primeiro porque bem vistas as coisas deve haver uma certa harmonia e agrada-me que as dimensões destes sigam os números que os denominam.

Para finalizar esta auto-mutilação verbal com que me presenteio guardo para o fim a minha maior falha, a capacidade de fazer balões com pastilhas elásticas! Sim, ando a tentar este número desde pequenino e sempre sem registo de um único caso de sucesso! Já muita gente partilhou comigo as suas técnicas e já comi muita pastilha de muita espécie; elas foram bubalicious, foram super-gorila, chicletes, sem açúcar mas tiveram sempre o mesmo destino – o caixote do lixo, sem nunca terem atravessado aquele momento de glória para que foram concebidas, o balão! Tentei tudo! E tudo implica o achatamento da pastilha antes da moldagem e colocação nos dentes para posterior assopramento enquanto se segura com os dedos todos enfiados na cavidade bucal. O que numa comparação feliz é como andar de bicicleta com rodinhas, só um totó é que não consegue!

Por agora me despeço com um conselho milenar – Não aceitem pastilhas elásticas ou qualquer outra doçaria, quando vindas de um estranho.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Observância de preceitos religiosos

Nunca acreditei muito em Deus. A não ser quando estava à rasca para passar num exame ou assim. E sempre que não consigo desencantar uma desculpa para não ir à Igreja numa daquelas datas especiais torna-se um esforço imensurável não adormecer. Isto porque não sou homenzinho para por palitos nos olhos. Dá ares de que dói! Na verdade ouvir aquele Padre dos Jerónimos; o monocórdico que com mais ou menos, mais para mais do que para menos, ou pelo menos não tanta assim, boa-fé deu a noticia – e isto ouvi eu – de que o “Pai Natal não existe” e logo num dia em que o templo cristãos estava pejado de putos; é qualquer coisa de muito chato. Só mesmo ao nível de ouvir aquele gajo naquele canal que tem 3 barras de índices económicos a passar em rodapé a velocidades distintas.
Começando por citar Charles Baudelaire que um dia disse “Deus é o único ser que, para reinar, nem precisa existir.” – frase que, com a qual concordo mas que apenas coloquei aqui porque acho que dá pinta à coisa – vou justificar a minha falta de crença no Senhor. E vou fazê-lo com factos, porque como alguém disse, este agora já não sei quem foi “contra factos não há argumentos”.
Pois então se o
criador do Universo fosse um ser supremo, infinito e perfeito, pela lógica das coisas teria criado um Mundo perfeito para nós habitarmos. E, vamos aqui ser sinceros, este planeta está longe de ser perfeito. Nem sequer vou arrumar a questão com a fome no mundo e com as guerras porque há muita menina a querer virar top-model e muito rapazinho a ver o Rambo e a brincar com os Action Man em criança. Sem ir muito longe, basta a ir à Amadora ou até à Quarteira agora que há auto-estrada, para ver que o mundo não foi acabado com primor ou requinte. Depois, nos tempos que correm ainda há muita miúda com buço.
OK, o sacana pode não ter elevado sentido estético mas a sua existência não está em causa! Estão enganados! Se a Nossa Divindade alguma vez existisse, o clube que enverga a cruz de Cristo ao peito já teria muito mais títulos e os sarrafeiros do Boavista ainda andavam a zero.
O mundo é tão mal gerido como o nosso país e nunca ouvi ninguém gabar tanto um politico sem ser a malta de Gondomar ou Felgueiras! A única diferença de Deus para os nossos políticos é que Este ao menos não faz promessas. A ver os pastorinhos, são os únicos que conheço a terem falado com ele e nunca ganharam nada com isso. Nem uma chave do Totobola. Ou foi com Nossa Senhora? Não obstante, Religião e Moral já lá vai; se Ele fosse verdade nunca teria dado ao incompetente do São Pedro o cargo de reger as condições climatéricas. Quantos já são os fins-de-semana a meio do ano que ele manda chuva para eu não poder ir à praia?

Comerciais

Não gosto deles! De comerciais. E não gosto deles, de todos os tipos!
A diesel, brancos e só com dois lugares. Não falo do ponto vista do conceito pois não tenho petizes para levar no banco e sempre é mais tralha que se mete sem discernimento critico na bagageira. Agora parece-me a mim, frequentador diário do asfalto, que a malta da brigada da rede teve que chumbar naqueles cursos de condução defensiva. Só assim consigo explicar a condução assassina de muitos deles! Eu até não tenho propensão para a estereotipização barata de indivíduos mas este “condutor comercial” dá ares de quem cumpre uma composição metódica e articulada de disposições legais que obriga a ser uma besta ao volante!
Outra casta de comerciais que não me apraz e chega até a repugnar-me são os vulgos vendedores. Seja do que for. Só recentemente, aquando da minha inserção no mundo do oficio remunerado é que comecei a ter contacto com esta espécie mas... Há gajo mais chato? Por acaso até há – os vendedores de bíblias (esses também são comerciais à sua maneira); os mormons*; as velhotas que impingem (não sei se é grates ou não) revistas religiosas; e afins. Ah, e um gajo que eu não ma lembra o nome mas que às vezes tenho o azar de o encontrar nuns barzinhos!
E atenção fumar mata! Deixem-se disso!

*nota: mormons são tipos sem barba que andam aos pares, tocam às campainhas e se apelidam de Santos dos Últimos Dias, com letra grande e tudo. Haja Santa Paciência para eles!

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Grandes desperdícios


Quando se fala em desperdícios há logo quem pense no ponta-de-lança que depois de transpor o guarda-redes atira com displicência ao lado. Eu, pessoalmente, não me consigo decidir entre feriados aos fins-de-semana – como este dia de Portugal que calhou num domingo - e as moças bem popózudas que o Ronaldo, o jogador da bola brasileiro com aquelas dentolas , já sacou!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Criançada

Todos os anos civis, pelo primeiro dia do sexto mês se celebra o dia da criança. Eu há muito que não sou brindado nesta data e agrada-me pensar que tal facto se deve aos meus progenitores reconhecerem no seu descendente natural, portanto eu, um elevado sentido de maturidade que se vai manifestando há um largo período de anos. Nem a minha avó me dá os tradicionais 5 euros do “ vai lá beber um cafezinho, Bernardo!”. Eu não me chateio que me troquem o nome quando isto envolve o recebimento de uma determinada quantia monetária, qualquer que ela seja. É mais ou menos quando os arrumadores, vulgos “carochos” levam o correspondente dos 50 paus com um “Fica bem Sócio!”. É por estas e por outras que os meus procriadores também não levam nada no dia deles. Se ainda houvesse “Dia dos Pais” em detrimento da versão separada “Dia do Pai” e “Dia da Mãe”, talvez tivessem mais sorte.
Não obstante, a verdade é que eu gostava de voltar à infância. Acho essa vida de petiz toda muito mais simples. É verdade que há escola e às vezes castigos. Mas entre a escola e o trabalho parece-me que opto pela escola. Na escola há recreio e mais tempo livre. Para alguns sortudos, nalguns colégios, as meninas até andam todas de saía. Claro que os putos até podem contra-argumentar que o vencimento salarial lhes permitiria adquirir grandes montantes de doces mas eles tem armas muito fortes – a choradeira desalmada e o beicinho! Eu hoje até tenho herpes labial, uma versão modo doente para distraído ver do beicinho e não me trouxe sorte nenhuma! Presentes nem vê-los!