
Engane-se aquele que julgava só me ver a escrever duas linhas sobre o tópico. Uma já cá vai! Todos me atiram à cara que não sei cozinhar, o que bem vistas as coisas até é coisa para ser verdade. Mas também não é preciso estarem-no sempre a apontá-lo, caramba! Eu até assumo, e dizem que isso é o primeiro passo para cura. O segundo deve ser saber acender o fogão, porque de micro-ondas já sei eu do assunto! Sou exímio a operar com o instrumento! E nunca li o manual. Aliás acho que ler livros de instruções só uma ínfima parte da população o faz, a par aí de fazer um castelo de cartas com 4 ou 7 andares de altura! As mulheres são incapazes de o fazer, não sei por preguiça, isto ou aquilo, o que é certo é preferem ver um qualquer aparelho deitar fumo e depois chamar “o homem” da especialidade a lerem qualquer coisa com letras minúsculas que não tenha anúncios de roupa. Os homens sabem sempre tudo ou então “já estava estragado”! Mas verdade seja dita, creio possuir o mais anacrónico mas mais eficaz aparelho emissor de radiações electromagnéticas jamais concebido; uma vez que 1 minuto dá para tudo, desde o descongelar o pão ao aquecer o prato pré-confeccionado.
Eu até vos podia enganar pois tenho 3 fotografias a cozinhar, se bem que duas são a fingir na minha recente incursão à Casa Milà do Antoni Gaudi e não fosse eu estar de phones do guia na cabeça e não haver fumo que ninguém topava a farsa.
A minha mãe é a mais desgostosa pela mina inaptidão para a cuisine. Chegou a investir na minha formação ao comprar-me um livro da especialidade na Feira destes e ao enviar-me, em Erasmus, para longe dela, por período suficiente de tempo. Teve azar, comi sempre refeições preparadas por outrem. Não por ser cromo e ter sacado uma miúda que me confeccionasse pitéus durante toda a minha estadia mas porque o destino não quis que eu e arte de cozinhar juntássemos trapozinhos ao colocar-me numa residência com arrecadações a que chamavam quartos e que não possuam cozinhas. Deste modo, o máximo que fiz nesses meses, foi cortar frutas para uma panela cheia de sangria Don Simon que eu prório comprei a 20 coroas no Carrefour que depois passou a Tiesco. Isto porque já tenho reputação no que diz respeito a cortar limas para fazer caipirinhas!
Assim, e para terminar, as refeições preparadas integralmente por mim podem ser contadas pelos dedos de uma mão, se bem que só me recorde de uma. E podem ser contadas pelos dedos de uma mão porque nunca cozinhei o suficiente para deixar um dedinho na bancada! Agora que falo nisso, a minha glória neste capitulo deve-se mesmo a um dedo cortado. No Sudoeste do ano passado um amigo meu conseguiu cortar o dedo ao tentar abrir uma garrafa de Sagres, facto que teve que omitir quando deu entrada no posto médico pois o festival era patrocinado pelos rivais da Super Bock. Não vos divulgo o nome do meu amigo pois, perante tal situação (falo da incursão na tenda de primeiros socorros por um cortezinho e não pelo corte em si), tomar-lhe-iam equivocamente por rabeta e ele até sacou muita fanfa nesses dias! Mas com o gajo na tenda médica não tive outro remédio senão fazer-me a vida e maquinar um jantar rico em proteína, constituído por arroz, atum e ovo cozido! Feito isso, nos dias que correm, só me sentirei completo e em paz com a minha pessoa quando conseguir juntar harmoniosamente uma mão cheia de alimentos. Este é o meu próximo passo!